A Farmacopeia Antiga

De acordo com a medicina Tibetana e estudos do Dr. Vlamidir Badmadjeff que foi um lama e morreu em 1923 aos 112 anos, nós precisamos primeiramente aceitar os princípios básicos do homem:

BADGAN = amor, matéria, corpo – Body

CHI = força de vontade, força mental e espírito – Mind

SCHARA = conhecimento, energia vital, força.

Por milhares de anos, os aromáticos têm sido usados para preservar carnes, embalsamamentos, prevenções e cura de doenças, influenciar e melhorar o humor e para seduzir.

Nossos ancestrais distantes há milhares de anos, já usavam a Aromaterapia. Usavam o nariz, bem como os olhos para determinar se uma planta era o que procuravam ou se era comestível.  Quando aprenderam a fazer o fogo, devem ter queimado plantas aromáticas, descobrindo que algumas eram boas para acompanhar alimentos cozidos e que outras faziam um aroma agradável. Podem também ter descoberto outras propriedades: às vezes a fumaça era “boa de respirar”, outras vezes produzia sensação de sonolência ou de revigoramento. Isto veio a ser muito usado para tratamento com “defumação” do paciente e foi usado em vários rituais.

Durante o período neolítico do mundo Oriental, entre seis e nove mil anos atrás, o homem descobriu que plantas como a oliva, o castório e o gergelim, continham óleos gordurosos, que podiam ser extraídos por meio de pressão.

Enquanto os chineses estavam desenvolvendo a acupuntura, os egípcios estavam, entre outras coisas, aprendendo a conhecer as essências. A décima – segunda dinastia foi a era de ouro das jóias egípcias; nessa época também os cosméticos foram amplamente utilizados.

Quando a tumba de Tutankhamon foi aberta, em 1922, foi descoberto um grande número de potes de perfumaria, alguns ainda contendo ungüentos. Estes foram colocados na tumba em 1350 a.C. , quando foi selada, há mais de 3.000 anos. Os potes feitos de calcita e o conteúdo, já solidificado, revelaram mais tarde a presença de Olíbano que estava misturado numa base de gordura e que apesar de fraco, ainda podia ser detectado seu aroma. Um grande número de vasos, datados entre 3.000 e 2.000 a.C. feitos principalmente de alabastro podem ser vistos no Museu Britânico em salas reservadas ao Egito; podem ter servido de recipiente para óleos perfumados.

No início, esses ungüentos eram bastante valiosos, usados apenas pelas famílias reais e, talvez, pelos sumos sacerdotes. Mais tarde, tornar-se-iam menos sagrados e mais amplamente utilizados pelo povo. Eram empregados em cosméticos, óleos de massagem, medicamentos, etc. Existem papiros que registram o uso de ervas antes do reinado de Khufu, que construiu a Grande Pirâmide por volta de 2.800 a.C.

As primeiras pessoas a preparar compostos aromáticos foram os sacerdotes; eram os primeiros perfumistas, os primeiros aromaterapeutas. Quando o uso dos produtos aromáticos tornou-se mais comum, passaram a ser usados também pelos médicos.

Os aromáticos usados incluíam mirra, olíbano, cedro, orégano, amêndoa amarga, henna, junípero, coentro, cálamo e muitas outras plantas nativas.

Em Heliópolis, a Cidade do Sol, onde se venerava Ra, o incenso era queimado três vezes por dia: a chamada “Resina”. Ao amanhecer e à noite, a mirra, e ao pôr do sol, uma mistura de dezesseis ingredientes, chamada “Kuphi” ou “Kyphi”. Seus componentes eram Cálamo, Cássia, Canela, Hortelã, Acácia, Henna, Cípero, “Resina”, Mirra e Passas. Dizia-se que Kyphi induzia as pessoas a dormir, diminuía as ansiedades e tornava os sonhos mais amenos.

Há registros de que os egípcios usavam óleo de cedro, sândalo, olíbano, benjoim e outros no processo de mumificação e sabe-se que os mesmos, principalmente o cedro, foram muito apreciados na Babilônia e no Egito, usados em ungüentos para o corpo, o cabelo e para preservar a juventude da pele.

Os egípcios costumavam atribuir e eficácia de remédios aromáticos à crença de que teriam sido originalmente formulados, ou usados pelos deuses.

Os gregos aprenderam muito de perfumaria com os egípcios, bem como as propriedades e usos dos aromáticos, eles atribuíam uma origem divina a todas as plantas aromáticas. Na mitologia grega, a invenção dos perfumes é atribuída aos deuses, e, de acordo com uma antiga crença, os homens adquiriam seus conhecimentos acerca dos perfumes de “Aeone”, uma ninfa de Vênus. Também, seus atletas espalhavam óleo de menta em seus corpos para fortalecer e firmar seus músculos antes de competições.

O nome de Cleópatra é lendário, e está inextricavelmente ligado à perfumaria. Ela foi a última das rainhas egípcias, apesar de não ter puro sangue egípcio. Ela, mais grega que egípcia, reinou sobre um império moribundo – a força de sua personalidade foi suficiente para subjugar Julio César, bem como Marco Antônio. Já disseram que sua beleza não era tão notável. A sedução que exerceu sobre Marco Antônio foi conseguida com seu uso liberal de perfumes. Há registros de que, em dada ocasião, usou ungüentos no valor de 400 denários – caríssimo, apenas para suavizar e perfumar suas mãos. Há histórias de Cleópatra embeber as velas de seu navio com o óleo essencial de jasmim e todas as vezes que cruzava o Nilo, todos sabiam que era ela, pois a reconheciam pelo seu perfume.

Também encontramos notas de faraós que usavam os ornamentos nas cabeças em formato de cone, contendo os óleos que gotejavam pouco a pouco por seus cabelos aromatizando-os e produzindo uma grande atração e poder sobre as pessoas.

Após a morte de Cleópatra, em 30 a.C o Egito se tornou uma província romana. Os romanos eram ainda mais liberais no uso de perfume que os gregos. Seus perfumes eram acondicionados em garrafas “unguentaria”, geralmente feitas de alabastro, ônix ou vidro e usadas para banhos – os banhos romanos. Os perfumistas romanos “unguentarii”, eram numerosos e ocuparam um trecho específico de uma rua da cidade , a vicus thuraricus no Velabrum. Em Cápua, cidade notável por seu luxo ocupava toda uma rua. Usavam-se três tipos de perfume, “Ladysmata” – ungüentos sólidos, Stymmata – óleos essenciais, e Diaspasmata – perfumes em pó.

Já a água de rosas chegou à Europa na época das cruzadas, bem como outros perfumes e essências exóticas do oriente. A lavanda já era cultivada na região de Mitcham, no “Surrey” inglês.

Os textos indianos clássicos sobre ervas, os Ayurvedas, foram escritos mais ou menos na mesma época em que reinavam as últimas dinastias do Egito. O sândalo sempre foi muito usado pelos indianos, tanto em incensos e preparados cosméticos quanto em ungüentos consagrados para ungir (massagear) a cabeça de reis e sumos sacerdotes: o nardo, por sua vez, era usado da mesma forma em Israel (Judéia).
Um bom número de manuscritos ingleses dos séculos XIV e XV contém referências a óleos herbáticos, onde a erva aromática é aquecida em óleo. Após algumas horas ou dias, o óleo é filtrado e está pronto para uso. Este método já era empregado pelos egípcios e talvez até antes deles.

Hoje em dia, a forma mais usada para se obter os óleos essenciais é por destilação.

A Farmacopeia Moderna

Na época da Peste na Europa, as pessoas usavam a Aromaterapia para fazer a assepsia diária e para evitar e combater as doenças e pragas. Com a falta de sistemas de água e esgoto, os detritos das casas eram coletados durante todo o dia pelos criados e ao final da tarde eram jogados pelas janelas das casas. Pelas ruas desciam pessoas da limpeza, lavando-as com os óleos essenciais. Quase todas as famílias possuíam uma sala especial na casa para a destilação dos óleos essenciais, para esses fins. Por isso tudo, o nome, por assim dizer, dos óleos ficou ligado à limpeza das ruas e à peste com um tom depreciativo, e começaram a ser até evitados, caindo em desuso.

A Aromaterapia ressurgiu na França durante os difíceis anos da ocupação do solo francês pelos conquistadores em 1940.

Um dia, um químico surgiu com a idéia de certo paralelismo entre vibrações perfumadas e aquelas emitidas por grânulos de homeopatia aos quais são imperceptíveis aos sentidos, mas que são registrados pelas células do corpo. Mais ainda, a maioria desses remédios vem de outros lugares – das plantas. Em ambos os casos o princípio ativo do agente medicinal, como nas substâncias aromáticas, é aplicado em doses infinitamente pequenas. Quando se trata de homeopatia, o remédio prescrito trata o indivíduo, mais do que a doença. Ambos trabalham através de suas ações vibratórias e assim sendo, o remédio deve ser individualizado para ter efeito desejado, o perfume também deveria obedecer às mesmas condições e serem individuais.

Marguerite Maury, considerada a mãe da Aromaterapia, através de anos de pesquisa e pratica descobriu o valor da zona de ação de partículas aromáticas. Com atenção especial, ela registrou o impacto de suas aplicações, ambas na superfície da pele e através de inalação. Ela seguiu o caminho da rota da respiração, através do nervo sensitivo até onde terminavam… no centro do cérebro. O resultado disso tudo é o despertar para um estímulo do intelecto, uma recuperação do vigor vital e através de um objetivo harmonioso, um retorno ao equilíbrio psicológico verdadeiro do assunto.

Vários cientistas e químicos voltaram a estudar e usar a Aromaterapia nessa época. Entre eles devemos destacar Gattefossé e Marguerite Maury.

Marguerite Maury: (1895-1968) Marguerite König nasceu na Áustria em 1895 e cresceu em Viena. Estudou música, o que sempre conservou como uma de suas paixões. Ela gostava muito de se sentar ao piano e tocar Schumann, Liszt, Chopin e Schubert, sempre acompanhada de um de seus gatos favoritos, que sempre se sentava em cima do piano, para ouvi-la tocar. Durante sua juventude seu sonho era estudar bioquímica e botânica, mas ao invés de estudar, se casou com um Vienense aos dezessete anos. No ano seguinte teve um filho, que veio a morrer tragicamente aos dois anos com meningite. Essa foi a primeira de suas perdas. Logo após, seu marido morreu na Primeira Guerra Mundial e pouco tempo depois, ocorreu a sua terceira grande perda… o suicídio de seu pai, que era um intelectual e muito conhecido na sociedade de Viena por sua visão moderna.

Após perder seu filho, marido e pai – o que compunha toda a sua família, em tão pouco tempo, ela voltou aos estudos e se formou como enfermeira e assistente cirúrgica – o grau mais alto que uma mulher poderia atingir na época. Ela também decidiu se mudar de Viena para a França. Ela trabalhou como assistente médica com um cirurgião em Alsace por muitos anos e foi lá que lhe foi dado um livro que a levou até a Aromaterapia. Esse livro foi escrito por Dr. Chabenes e foi publicado em 1838 com o título Les Grandes Possibilites par les Matières Odoriferantes. Esse autor mais tarde veio a ensinar Gatefossé e foi um dos fundadores da Aromaterapia Moderna.

Marguerite conheceu Dr. Maury no começo dos anos trinta. Eles compartilhavam a mesma paixão pela música, arte e literatura e acima de tudo, a vontade de curar através de formas naturais e alternativas. Estudaram e praticaram a homeopatia, a naturopatia, acupuntura, osteopatia, meditação, Zen, yoga, macro biologia e radientesia, para citar alguns, e todos juntamente com a filosofia. Eles formavam um casal notável, trabalhando, pesquisando e escrevendo livros juntos.

O auge de sua carreira veio nos seus quarenta anos, quando em seus estudos ela tentou provar e demonstrar o efeito que os óleos essenciais tinham no sistema nervoso, como influência no bem estar das pessoas, e propriedades rejuvenescedoras. Ela deu palestras e seminários por toda a Europa, abriu a primeira clinica aromaterápica em Londres, e expandiu sua atividade por meio de outras unidades na França e na Suíça, exercendo o ensino e pratica da Aromaterapia até sua morte.

Ela deu cursos, escreveu muito sobre o assunto, fez um filme dando informação sobre tratamentos, manipulação e massagem, usando óleos essenciais e se tornou presidente da CIDESCO (Pour lê Comitê International D’Esthetique et de Cosmetologie). Totalmente dedicada ao seu trabalho, ganhou uma reputação excelente, assim como dois prêmios internacionais em 1962 e 1967 por sua pesquisa em óleos essenciais e cosmetologia.

Marguerite possuía algumas das excentricidades de gênios, mas era também uma das mulheres mais generosas, carismáticas e dignas de amar. Era cheia de energia e entusiasmo e trabalhou literalmente até sua morte de um enfarto na noite de 25 de Setembro de 1968.

Seu último manuscrito foi encontrado ao lado de sua cama que começava com. ”L’aromatherapie employée em cosmetologie peut mener vers des resultats les plus inattendus et extraordinaires.” (A Aromaterapia na cosmetologia pode guiar à resultados não considerados e extraordinários)”. Isso com certeza se mostra verdadeiro, pois aos 73 anos de idade, quando morreu, possuía uma aparência muito jovem.

“A velhice é um estado, mas não um estado civil. Ela é considerada a inimiga nº1 de nossa existência”.
– Marguerite Maury

Gateffossé: René-Maurice Gattefossé (1881-1950) não foi o primeiro a usar ou escrever sobre os óleos essenciais terapeuticamente. No entanto ele teve uma visão sem precedentes. E foi essa visão e dedicação que o inspirou ao uso da palavra “Aromaterapia” publicando assim vários livros sobre o assunto. Era um químico francês de cosméticos nascido em Lyon na França 1881 e filho de um perfumista. Como químico, sabia da necessidade e importância da Aromaterapia ser quimicamente compreendida. Fascinou-se pelos óleos essenciais como um meio de medicina popular; após uma explosão em seu laboratório em 1910 quando sofreu severas queimaduras, recuperou-se rapidamente ao usar o óleo essencial de lavanda para acelerar a cicatrização dos tecidos cutâneos. Muito impressionado pelos resultados ele entrou com força total na pesquisa dos óleos essenciais e suas propriedades curativas.

Seu trabalho completo está registrado no livro “Complexos naturais em dermatologia” no qual descreve como os óleos essenciais penetram através do nariz e pele, atuando sobre o sistema nervoso e aliviando estados de ansiedade e depressão.

Particularmente, os poderes anti-sépticos e curativos do óleo de lavanda nas feridas não deixam de impressionar até mesmo o leitor mais cético. Curar as feridas da Primeira Guerra Mundial era um grande problema.

Ele também formulou um sabonete anti-séptico para ajudar a frear o alastramento da epidemia da gripe espanhola em 1918.

Durante a segunda guerra mundial, um médico muito influenciado por Gatefossé, o Dr. Jean Valnet, confirmou os poderes curativos de vários óleos essenciais aos quais usou em condições extremas de cirurgias na guerra quando o fornecimento e estoque de penicilina estava baixo.

Trabalhando junto com médicos do exército, veterinários e hospitais, Gatefossé continuou a usar suas fórmulas até sua morte no ano de 1950 em Casablanca. Seus estudos ajudam muito a base da Aromaterapia moderna.